O Peso da Inutilidade e a Ilusão de Ser Indispensável
Por: José A. Nogueira
Uma das piores sensações que podemos experimentar no tecido social é a percepção de que já não temos utilidade.
Quando passamos a ser ignorados, o impacto pode ser esmagador. Sentimos como se nossa presença tivesse perdido o significado e, com ela, uma parte importante do nosso lugar no mundo.
Talvez o problema esteja, em parte, numa soberba sutil que nos acompanha: sentimo-nos tão necessários que chegamos a acreditar que o mundo gravita ao nosso redor. Esquecemos, porém, que o outro possui uma extraordinária capacidade de adaptação.
As pessoas recriam suas realidades, estabelecem novos vínculos, encontram outros afetos e seguem adiante. A vida continua, mesmo diante de ausências que, para nós, pareciam grandes demais para serem suportadas.
Descobrir que a nossa utilidade é efêmera pode provocar a vertigem de quem, de repente, percebe que está pisando no vazio. É uma experiência dolorosa e, muitas vezes, avassaladora.
Para quem alimenta a ilusão de ser indispensável, o despertar desse sonho pode se transformar em caos, frustração e profunda dor.
Mas talvez exista nessa experiência uma possibilidade de transformação.
Diante da dinâmica da nossa época, talvez seja necessário compreender a ideia de utilidade sob uma nova perspectiva: não como a necessidade de sermos indispensáveis aos outros, mas como a capacidade de encontrarmos forças para sustentar a própria existência.
Isso exige, talvez, certo requinte de um egoísmo saudável: aprender a voltar o olhar para si, reconhecer os próprios limites e construir recursos internos para atravessar as mudanças trazidas pelo tempo e pelas novas gerações.
Como bem pontua a psicanalista Maria Lúcia Homem, “derramar-se menos” sobre os outros e voltar mais a atenção para a própria existência pode ser, paradoxalmente, uma maneira de tornar o mundo um lugar melhor.
Talvez amadurecer também seja compreender que não precisamos ser indispensáveis para ter valor.
Nossa existência não precisa depender da utilidade que temos para alguém.
Às vezes, é justamente quando deixamos de tentar ocupar um lugar indispensável na vida do outro que começamos a descobrir um lugar mais próprio para nós mesmos.
E quando a sensação de não ser mais necessário começa a ocupar espaço demais na nossa vida?
Talvez seja importante ter um espaço onde você possa falar sobre isso, sem julgamentos e sem precisar encontrar todas as respostas sozinho.
A psicanálise pode ser esse espaço de escuta.
Se você sente que está vivendo um momento de mudanças, perdas, conflitos ou questionamentos sobre o seu próprio lugar na vida, entre em contato comigo pelo WhatsApp. Podemos conversar sobre o seu momento e sobre a possibilidade de iniciar um processo de análise.