Por: José A. Nogueira
Antes de rotular o idoso, busque compreendê-lo. Antes de definir o que ele deve fazer, procure conhecer quem ele é.
O idoso possui uma identidade, assim como qualquer um de nós, e essa identidade precisa ser reconhecida e respeitada.
Vejo, em alguns programas sociais, idosos sendo convidados a dançar, pintar o rosto ou participar de determinadas atividades que nem sempre correspondem aos seus desejos. A intenção pode ser positiva, mas existe um problema quando o cuidado passa a desconsiderar a vontade, a história e a personalidade daquele que está sendo cuidado.
Nem todo idoso deseja as mesmas coisas. Nem todos encontram prazer nas mesmas atividades. O envelhecimento não apaga a singularidade de ninguém.
Cada idoso carrega suas próprias nuances. Em alguns, a irritabilidade pode ser expressão de uma vida marcada por privações, perdas e trabalho árduo. Em outros, a serenidade pode ter sido construída ao longo de experiências culturais e familiares complexas. Há aqueles que preservam a franqueza no falar; outros desenvolveram uma capacidade admirável de paciência e sabedoria no convívio com as gerações mais jovens.
Não existe, portanto, uma única maneira de envelhecer.
O idoso é, acima de tudo, sujeito de sua própria história. Sua idade não deveria apagar seus desejos, suas preferências, suas lembranças, seus conflitos ou sua maneira particular de compreender o mundo.
Respeitar a velhice é também reconhecer essa singularidade. Cuidar de alguém não significa decidir tudo por ele. Significa, antes, escutar, considerar sua vontade e preservar, tanto quanto possível, sua autonomia e sua identidade.
Cada pessoa que envelhece carrega consigo décadas de experiências, escolhas, perdas, conquistas e aprendizados. Há ali uma história que não pode ser reduzida a um número de anos vividos.
Talvez seja justamente essa a riqueza da chamada “melhor idade”: não uma fase que precise ser preenchida por atividades impostas ou por uma imagem idealizada da velhice, mas um momento da vida em que a pessoa continua sendo, essencialmente, ela mesma.
O idoso não é apenas alguém que envelheceu. É um indivíduo, sujeito de sua própria história e proprietário de uma identidade que merece ser conhecida, respeitada e admirada.
Talvez, em algum momento, seja necessário ter um espaço para falar sobre as mudanças que o envelhecimento traz, sobre as perdas, os novos limites, os relacionamentos ou simplesmente sobre aquilo que ainda permanece sem nome.
A psicanálise pode oferecer esse espaço de escuta: um lugar onde cada pessoa possa falar de sua história sem ser reduzida à sua idade, às suas limitações ou ao papel que desempenha na vida dos outros.
Se você sente que há questões da sua história que precisam ser compreendidas, ou se deseja conversar sobre o momento que está vivendo, estou à disposição para ouvi-lo.
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