Por: José A. Nogueira
Até onde a fantasia das redes sociais e dos filmes tem atrapalhado a sua percepção da realidade nos relacionamentos? Você já se sentiu pressionado a viver uma felicidade que não admite oscilações?
Na vida, haverá estresse e harmonia. Juntos. Concomitantemente. Haverá picos e oscilações. Seja só, ou junto com alguém. A vida sempre dividirá um pouquinho a noção do que seja ser ou não ser feliz o tempo todo.
Nós não devemos romantizar demais as relações — sejam elas a relação que se tem consigo mesmo ou com o outro, que é diferente e externo a você, objetivamente.
Esta semana, postei sobre a minha preferência pessoal em optar pela "dor de cabeça" de ter de dividir a vida com alguém, em vez de ficar sozinho. Surpreendeu-me o nível de engajamento e a quantidade de pessoas que discordaram da minha afirmação.
Todo esse engajamento e a não aceitação podem ter ligações estreitas com o fato que afirmei logo acima. A maneira como filmes, novelas, livros e o próprio trato sociocultural têm romantizado o amor promove a crença popular de que uma relação perfeita só acontece quando se espera apenas o lado bom. Isso coloca em risco a qualidade e o tempo de permanência da união.
Não se deve flutuar tanto na maneira como se pensa a vida. A vida requer o mínimo de esforço para manter-se estável e bem-sucedida. Da mesma forma, um relacionamento a dois requer uma dinâmica que estabeleça limites e fronteiras, responsabilidade e corresponsabilidade, respeito e reciprocidade. Lutas e trajetória. Também não é saudável que se estabeleça um laço tão tênue com a realidade em favor da fantasia. Às vezes, a própria vida requer de nós uma trégua, um certo "desequilíbrio" e uma certa esperança.
É necessário sonhar, experimentar o sorriso, as gargalhadas e o lado avesso dessa construção social. É bom brincar, sentir a leveza de estar junto. Sentir pulsar mais forte e ávido o coração. Manter-se firme no propósito de viver feliz "enquanto dure". Fugir do luto e abraçar a felicidade. Contudo, reitero, é importante entender, de uma vez por todas, que em uma relação interpessoal não há só fantasia e deleite; há um doce amargo, um dever e uma segura responsabilidade.